Atlético e Cruzeiro deram o primeiro passo nesta quarta-feira para decidir quem será o campeão da Copa do Brasil. Mais do que isso, o lado vencedor desta decisão será o primeiro a vencer uma final fora de Belo Horizonte. E quando falo em fora da capital mineira, é porque nunca as duas equipes haviam chegado simultaneamente a uma decisão que não fosse do campeonato mineiro. Este ano, conseguiram com bom futebol e muito sofrimento nas últimas fases do torneio.
O Cruzeiro, justo líder do campeonato brasileiro eliminou com muito suor a equipe do Santos. Foram dois jogos apertadíssimos onde o time celeste precisou mostrar muita garra nos momentos em que faltava perna, muito em conta pelos mais de 60 jogos no ano, que acaba prejudicando jogadores como Éverton Ribeiro, visivelmente cansado, e que equilibrou o jogo pro alvinegro praiano que rodava mais o elenco em um campeonato brasileiro que não tinha grandes perspectivas.
O Atlético por sua vez teve o caminho mais complicado. Precisou duas vezes seguidas reverter uma vantagem de dois a zero, contra as duas equipes de maior torcida do país, aquelas que parte da mídia adora dizer: “deixou chegar agora aguenta, a torcida empurra e a camisa pesa”. Pesou contra. Eliminou Corinthians e Flamengo mesmo saindo atrás no placar e precisando de quatro gols. Jogou muita bola nas quartas de final. Na semi não foi tão bem, mas sobrou coração do seu lado, faltou coragem do lado rubro-negro.
O primeiro jogo da decisão foi ontem no Independência fervendo, e a pulsante equipe do Galo se impôs e ganhou o primeiro jogo de 2x0. O time de Levir Culpi conseguiu a terceira vitória sobre o rival no ano em um jogo truncado, nervoso e muito melhor do que seria se tivessem passado Santos e Flamengo. Nada contra as duas equipes, mas ter o primeiro clássico mineiro em uma final de Copa do Brasil, o atual campeão brasileiro e líder do campeonato contra o vencedor da Libertadores e “melhor mandante do mundo”, segundo Alexandre Kalil, é algo que os deuses do futebol não poderiam deixar passar. E não deixaram. Ao Cruzeiro basta lembrar que o rival que o venceu por dois gols de diferença é o mesmo que havia perdido pelos mesmos dois gols nas fases anteriores e que conseguiu virar. E não há motivação maior para o elenco celeste do que conquistar a segunda tríplice coroa do clube do que contra o maior rival, virando um placar improvável, assim como o Atlético o fez. Ainda mais se sair perdendo logo no início. Porque bola pra isso a equipe mostrou que tem.
Nada contra Flamengo e Santos, mas hoje são apenas equipes de meio de tabela, sem a intensidade nem a qualidade dos times mineiros. Por isso esta final significa tanto pras duas equipes. É a chance de triunfar sobre o adversário pela primeira vez fora do território e de mostrar quem é que manda fora de casa.
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