quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O que significa este Atlético e Cruzeiro na final da Copa do Brasil

Atlético e Cruzeiro deram o primeiro passo nesta quarta-feira para decidir quem será o campeão da Copa do Brasil. Mais do que isso, o lado vencedor desta decisão será o primeiro a vencer uma final fora de Belo Horizonte. E quando falo em fora da capital mineira, é porque nunca as duas equipes haviam chegado simultaneamente a uma decisão que não fosse do campeonato mineiro. Este ano, conseguiram com bom futebol e muito sofrimento nas últimas fases do torneio.

O Cruzeiro, justo líder do campeonato brasileiro eliminou com muito suor a equipe do Santos. Foram dois jogos apertadíssimos onde o time celeste precisou mostrar muita garra nos momentos em que faltava perna, muito em conta pelos mais de 60 jogos no ano, que acaba prejudicando jogadores como Éverton Ribeiro, visivelmente cansado, e que equilibrou o jogo pro alvinegro praiano que rodava mais o elenco em um campeonato brasileiro que não tinha grandes perspectivas.

O Atlético por sua vez teve o caminho mais complicado. Precisou duas vezes seguidas reverter uma vantagem de dois a zero, contra as duas equipes de maior torcida do país, aquelas que parte da mídia adora dizer: “deixou chegar agora aguenta, a torcida empurra e a camisa pesa”. Pesou contra. Eliminou Corinthians e Flamengo mesmo saindo atrás no placar e precisando de quatro gols. Jogou muita bola nas quartas de final. Na semi não foi tão bem, mas sobrou coração do seu lado, faltou coragem do lado rubro-negro.

O primeiro jogo da decisão foi ontem no Independência fervendo, e a pulsante equipe do Galo se impôs e ganhou o primeiro jogo de 2x0. O time de Levir Culpi conseguiu a terceira vitória sobre o rival no ano em um jogo truncado, nervoso e muito melhor do que seria se tivessem passado Santos e Flamengo. Nada contra as duas equipes, mas ter o primeiro clássico mineiro em uma final de Copa do Brasil, o atual campeão brasileiro e líder do campeonato contra o vencedor da Libertadores e “melhor mandante do mundo”, segundo Alexandre Kalil, é algo que os deuses do futebol não poderiam deixar passar. E não deixaram. Ao Cruzeiro basta lembrar que o rival que o venceu por dois gols de diferença é o mesmo que havia perdido pelos mesmos dois gols nas fases anteriores e que conseguiu virar. E não há motivação maior para o elenco celeste do que conquistar a segunda tríplice coroa do clube do que contra o maior rival, virando um placar improvável, assim como o Atlético o fez. Ainda mais se sair perdendo logo no início. Porque bola pra isso a equipe mostrou que tem.

Nada contra Flamengo e Santos, mas hoje são apenas equipes de meio de tabela, sem a intensidade nem a qualidade dos times mineiros. Por isso esta final significa tanto pras duas equipes. É a chance de triunfar sobre o adversário pela primeira vez fora do território e de mostrar quem é que manda fora de casa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O caminho até a decisão mineira

Enfim a Copa do Brasil chega a sua final, Atlético Mineiro x Cruzeiro. O maior clássico de Minas Gerais vai definir o melhor time do maior torneio mata-mata do Brasil. Os olhos dos brasileiros, amantes de futebol, estão focados na decisão mineira. De um lado a equipe atleticana que se tornou o “time da virada”, buscando resultados milagrosos durante o torneio, do outro os cruzeirenses, que são para muitos o melhor time brasileiro há algum tempo, passando por poucas dificuldades na Copa do Brasil desse ano.
                As duas equipes vieram da Taça Libertadores da America, tendo um caminho mais curto na Copa do Brasil. Começaram a competição já nas oitavas de final, cada um com uma trajetória diferente. O Cruzeiro com um caminho “teoricamente” mais fácil e o Atlético passando por um caminho de pedras vencido na raça.

OITAVAS DE FINAL: O Atlético Mineiro começou sua batalha contra o Palmeiras, a equipe paulista passava por uma péssima fase, lutando para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Resultado: duas vitórias tranquilas contra um adversário que apesar de grande se mostrou muito frágil.
Se o primeiro confronto do Galo foi fácil, o que dizer do Cruzeiro? Enfrentou a fraca e pouco tradicional equipe do Santa Rita de Alagoas, Aplicando de cara, no primeiro jogo, uma goleada por 5x0 e apenas administrando a partida de volta fora de casa com outra vitória.

QUARTAS DE FINAL: Essa fase do torneio colocou outra equipe paulista a frente do Atlético, mas dessa vez um adversário mais forte. O Corinthians que brigava na parte de cima da tabela prometia ser um oponente mais forte. Os dois jogos provaram isso. Depois de a equipe corinthiana abrir uma boa vantagem em casa e sair vencendo no Mineirão o Atlético começou sua caminhada de viradas na competição, arrancando um inesperado 4x1 e se classificando heroicamente.
O Cruzeiro, então, enfrentava mais um adversário teoricamente mais fácil. Após eliminar o Vasco, o ABC aparecia como uma zebra que já tinha feito seu papel no campeonato, para muitos seria preza fácil para a equipe celeste. O Favoritismo cresceu mais ainda depois da equipe mineira sair na frente no duelo, indo para a segunda partida no Rio Grande do Norte com vantagem. Depois de abrir 2x0, ampliou ainda mais sua superioridade, mas não contava com a virada do ABC, por 3x2, classificando o Cruzeiro pelos gols feitos fora de casa (primeiro critério de desempate.

SEMIFINAL: A equipe atleticana chegou com moral para o embate contra o Flamengo. Por incrível que pareça a derrota fora de casa no primeiro jogo por 2x0 deu mais força ainda para a torcida do galo apoiar o time, contando com mais uma virada histórica, dessa vez contra a equipe carioca. E a vitória veio tão emocionante quanto se imaginava, repetido o placar das quartas de final (vitória por 4x1). O Atlético viria a surpreender o Brasil mais uma vez, marcando seu nome na história da Copa do Brasil e conseguindo pela primeira vez a vaga na final da competição.
Pela primeira vez, a raposa tinha um grande adversário pela frente na Copa do Brasil. O Santos poderia ser uma “pedra no sapato” da equipe mineira, e foi. Mas o Cruzeiro mostrou sua força no Mineirão no primeiro jogo e honrou o status de “melhor time do Brasil”, conseguindo ir para a Vila Belmiro com a vantagem de 1x0. Fora de casa à história parecia tomar um rumo diferente, os “meninos da Vila” mostraram seu talento e chegaram a abrir 3x1 no placar, porém o Cruzeiro conseguiu empatar a partida, alcançando a vaga na final da Copa do Brasil.

                Hoje Atlético e Cruzeiro se enfrentam na primeira partida da final. Dois caminhos tão diferentes levaram os maiores clubes mineiros para a decisão mais importante e que mais mobilizou Minas Gerais.    

terça-feira, 11 de novembro de 2014

"Jogador de segundo tempo"

Luciano não chegou ao Corinthians como uma contratação de “peso”, mas já de cara mostrou seu valor. Aquele que seria mais um jogador para compor o grupo se tornou destaque na péssima campanha do Campeonato Paulista. Apesar do destaque no Paulistão, e hoje artilheiro do time no ano, o jogador amarga uma sina de não conseguir atuar bem em partidas que começa como titular.
Qual é a explicação para um “jogador de segundo tempo”? Luciano Neves, atacante do Corinthians, seria uma ótima resposta para essa pergunta. O artilheiro do timão no ano não tem só motivos para sorrir, mesmo alcançando essa marca, sua irregularidade é demonstrada a cada vez que o atacante joga mal quando é escalado como titular e vai bem quando é reserva.
O atacante corinthiano é o artilheiro do clube no ano com 13 gols (jogos oficiais). Sua estréia foi como reserva, mas entrou ainda no primeiro tempo do jogo, marcando o gol logo no seu primeiro toque na bola. Em partida que foi decisivo marcando dois gols, criando grande expectativa na torcida alvinegra, que se empolgou mais ainda ao ver mais dois gols do jovem atacante em sua segunda partida, dessa vez como titular.

A última partida em que Luciano marcou gol entrando como titular foi na estréia da Copa do Brasil, em Março, contra o Bahia de Feira de Santana, fora de casa, partida na qual o atacante marcou dois gols. De lá pra cá foram 43 partidas pelo Timão, sendo 21 delas como titular, em apenas duas o atacante marcou começando jogando. Já começando no banco, Luciano soma 22 partidas, marcados gols em seis delas.
O que mais impressiona nos números do atacante são os tempos nas partidas que ele anota seus gols. O gol mais rápido do jogador do Corinthians foi aos 31 do primeiro tempo contra o Bahia de Feira, pela copa do Brasil, um de seus poucos três gols marcados na etapa inicial das partidas (dez marcados no segundo tempo). Mais impressionante ainda são os gols pelo Campeonato Brasileiro, todos os gols feitos no segundo tempo, o mais rápido do atacante foi anotado aos 28 minutos da segunda etapa, contra o Cruzeiro, no Mineirão.

É certo dizer que Luciano tem uma boa e rápida leitura de jogo quando entra no segundo tempo, seu jeito definidor e agudo faz com que o atacante se dê muito bem quando encara uma defesa mais cansada. A afirmação que exista um “jogador de segundo tempo” divide opiniões, Luciano vem provando que existe. Agora basta ao técnico Mano Menezes observar essa questão e continuar colocando Luciano no segundo tempo, para poder dizer que é o “dedo do treinador”.